quinta-feira, 18 de novembro de 2004

Andam a gozar connosco...

(publicado em simultâneo no Afixe)

Pois andam... E nós nem damos por isso.
Há dias, todos nos revoltámos por duas notícias que vieram a lume em vários órgãos de comunicação social, a saber:

1. O desacordo da Santa Sé pela recepção, no Santuário de Fátima, de representantes de outras religiões, de entre os quais o próprio Dalai Lama; as "fontes seguras" dos órgãos informativos garantiriam que o Vaticano estaria a tentar controlar o Santuário, e que desejaria ver remodeladas algumas figuras de proa da Direcção do mesmo;

2. A proibição da execução de concertos, e de música não liturgica, em Igrejas e outros edifícios religiosos.

Estas duas notícias tinham funções claras:

A) Provocar a revolta de todos os sectores da sociedade, dos crentes aos não crentes

B) Espalhar a ideia de que uma tendência conservadora dentro do Vaticano estaria a assumir contornos de fanatismo e de exagero autoritário

As funções foram alcançadas. Eu próprio acreditei nas notícias. Só que sucede que eram ambas falsas. É verdade.

Não vou, para já, divagar à procura de explicações para o surgimento simultâneo de uma mesma notícia falsa em vários órgãos informativos. De teorias da conspiração já andamos todos fartos. Isto é apenas uma chamada de atenção. Eu caí na esparrela. Não me enganam tão facilmente da próxima vez...

Aqui ficam algumas pistas:

Esclarecimento do Santuário de Fátima
D. José Policarpo desmente desentendimentos entre o Vaticano e a Conferência Episcopal por causa do Santuário de Fátima
Bispo de Leiria-Fátima quer acabar com mal-entendidos
Vaticano aprova iniciativas inter-religiosas em Fátima

Termino com um excerto das palavras lúcidas e sérias do Cardeal Patriarca, relativa à falsa questão da proibição dos concertos nas Igrejas:

O Cardeal considerou ainda descabida a informação vinda a público de que a CEP iria proibir os concertos nas Igrejas
“Não há nenhum novo regulamento em vista, essa é mais uma ‘falsa questão’ inventada não sei por quem”, atirou.
Para D. José Policarpo, “a linha que temos seguido é correcta, baseada nas normas feitas pela própria Santa Sé, e que procura conciliar desejos legítimos: o da Igreja de salvaguardar o carácter sagrado dos templos, não deixando deslizar a opinião pública para uma consideração apenas cultural do seu sentido e da sua utilização; mas também reconhecer o valor espiritual e pastoral da expressão artística, também ela linguagem do sagrado; o respeito pela comunidade que celebra a fé naquele templo”.

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